quarta-feira, 3 de agosto de 2011

PARA ENTENDER CESAR TEIXEIRA

Acesse agora o oráculo digital
contemporâneo, o
Google, e digite o verbete
“Cesar Teixeira”. Você vai constatar
que existe pouca informação
disponível em contraponto à importância
que este compositor
maranhense tem para a música
popular brasileira.
Nem mesmo o Dicionário
Cravo Albin da Música Popular
Brasileira registra algum tipo de
conteúdo ou breve biografia sobre
César, apenas o cita em
composições dele gravadas por
outros maranhenses que ultrapassaram
o Estreito dos Mosquitos
na difusão de suas músicas,
como Flávia Bittencourt,
Glad Azevedo, Antônio Vieira e
Rita Ribeiro.
Contudo, é possível fazer o
download do único disco gravado
por Cesar, “Shopping Brazil”
(2004), pelo blogue “Música
Maranhense” (www.musicamaranhense.
blogspot.com),
uma iniciativa do estudante
universitário Victor Hugo, que
reúne um bom acervo sobre a
música popular do Maranhão,
além de encontrar algumas informações
esparsas sobre o artista,
como um “release” e algumas
entrevistas.
A constatação da ausência do
nome de Cesar Teixeira nos
meios massivos reforça a aura
mítica do compositor no Maranhão.
Representante de um movimento
musical, que gerou
uma estética própria da música
produzida no Estado, ele não cedeu
aos apelos da voz do dono
tornando-se o dono da própria
voz. Em vez de aprisioná-la em
material de acetato, deixou-a livre
para fazer coro junto aos seus
pares e para ser registrada na
memória coletiva de todos nós,
tatuada com as cores e as palavras
do afeto, da luta e da identidade
de uma comunidade.
Um momento - O show "Bandeira
de Aço, realizado sábado
passado (30), no Circo Cultural
Nelson Brito (Circo da Cidade),
foi a prova de que ele está mais
vivo do que nunca. No repertório,
novas composições foram
apresentadas, além das obrasprimas
da carreira, como “Ray
Ban”, “Parangolé”, “Flor do Mal”,
“Dolores”, entre outras.
Iniciativa da produtora cultural
Ópera Night que reuniu os
músicos Moisés Profeta (contrabaixo,
guitarra), Ribão (percussão),
Quintino Neto (bateria),
Rui Mário (sanfona, teclados),
Wendell Cosme (bandolim, cavaquinho,
percussão), Hugo
Barbosa (trompete), Daniel
Miranda (trombone), Regina
Oliveira (vocal) e Mayrla Oliveira
(vocal) para apresentar
os diversos ritmos da obra de
Cesar e o que ele tem de melhor:
a música em formato
canção. Como convidado especial,
subiu ao palco também
o compositor Joãozinho Ribeiro,
com quem dividiu a apresentação
do divertido “Samba
do Capiroto”.
Mais do que a tentativa de
entender a obra de Cesar Teixeira
pelo viés da crítica ou da pesquisa
- tão necessárias e importantes
- está a experiência com o
artista em cena e na interação
com seu público. A resposta está
na pureza das crianças que abriram
o show cantando a toada
“Boi da Lua”, na urgência do corpo
em rejeitar o comportamento
disciplinado pelas cadeiras de
plástico levantando-se para a
dança, na delicadeza de quem se
emocionou com canções do
‘tempo da janambura’ que ressuscitam
personagens e cenários
de velhos tempos e na força da
palavra de ordem repetida em coro
por todos no bis: “E diga sim a
quemnos quer acolher, mas se for
pra nos prender diga não”.
A força de uma poesia que
põe em xeque qualquer pretensão
buarquiana.
Alberto Júnior é radialista e
pesquisador musical.
Albertocamposjr@gmail.com
Para entender Cesar Teixeira

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